sexta-feira, 24 de agosto de 2012
A Dor
Dor, segundo o nosso dicionário temos o seguinte: "Sensação de sofrimento, decorrida de lesão e percebida por formações nervosas especializadas, mágoa, pesar.".
Mas ao longo da existência humana o homem soube andar com a dor, poetas se utilizaram da língua para torna-la sofrida, romancistas usaram a dor para dar a ela a cara do amor eterno, cientistas usaram a dor para procurar a cura, enfim, mas a dor, insiste em estar em nós, de alguma forma ela entra e se enclausura nas nossas mentes e nos nossos corpos.
Hoje a humanidade teme não a dor física, pois graças a cientistas ardorosos em sua profissão, já temos remédio para as dores que nos convalescem, mas tememos a dor d´alma, aquela dor profunda cuja a marca fica indelével em nós e nos marca ao restar da vida.
A dor infelizmente não é fulgáz como a alegria, que dá e passa, a dor se arrasta, ela é lânguida e quando chega ela é sofrida, doída, a dor para nós só é dor se sentida em sua exaustão e plenitude, damos a nossa dor a companhia por ela pedida, seja uma triste sonata ou uma melodiosa canção de profunda tristeza.
Cabe a nós seres humanos dar o copo de absinto necessário a tristeza e a dor que nos abriga, não é necessário apenas a dor doer, é preciso senti-la rasgar a alma, se enclausurar no coração e se expor nas lágrimas, que rolam sob a face tão cândida que a própria dor se doa de nos fazer doer.
É inerente ao ser humano cavar o seu poço, usando esse sentimento vertiginoso como pá e se afundar nele, esperando um socorro qualquer, uma mão amiga, que amargamente sabemos que em muitos casos não virá.
O pior da dor é sabermos que não seremos entendidos, a dor d´alma não é exposta ela é interna, por isso aos que nos olham nada há de errado, mas só os sofredores anônimos sabem como ela dilacera, corta, fere por dentro, e não há dor que se valha que não vá a última consequência, uma dor para ser dor precisa ser digerida pelo organismo, ser vivida pela sua vítima, aliás a dor é um algoz sem face, é como o ar que respiramos, não vemos mas sabemos de sua necessidade, a dor é assim, ela não tem cor, não tem face, não é tangível, mas sabemos que precisamos dela para termos a confirmação de estarmos vivo.
Nesse momento vejo a necessidade da dor, quando a dor se afunda, sinto o coração apertado, batendo descompassado e me avisando que ele ainda está alí, nesse momento o que antes não tinha físico agora tem, ela (a dor) domina meu peito, infla meus batimentos, derrama meu próprio sangue em minhas veias como se fora seu próprio sangue e em um miléssimo de segundo percebo que nada no meu corpo é meu, tudo agora é da dor que age como um canibal me devorando, indo de dentro para fora.
Mas assim como a felicidade a dor um dia parte, não para nunca mais voltar, pois sei que ela é amiga invisível que um dia retorna a me visitar, mas por hora, meu peito se encherá de esperança e lutará contra as insanidades doentias e eu olharei no espelho e direi: "Sofreu? Sofri. Mas quem jamais sofreu? Sofri, sofrerei e sofro, a dor incontida no meu peito, a dor expressa em minh´alma, a dor que me faz me sentir vivo e por assim me sentir eu luto. Lutei, e lutarei para que ela, a dor, já não se aposse mais de mim como outrora, e um dia eu possa lhe dizer em face: "Saias dor cruel, não fazeis de meu corpo tua morada, sereis grande, sereis imenso, se ficares em mim, saibas que logo terás que partir, pois meu corpo é o templo dos amores e das fantasias, não da dor e do sofrimento. Saia dor cruel, saia".
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