sábado, 25 de agosto de 2012
Programa para hoje? Que tal Bette Davis.
Sábado, 25 de agosto de 2012. Tem algo para fazer nessa noite gostosa? Não. Vai ficar em casa? Então veja um clássico do cinema mundial.
Minha dica é "O que terá acontecido a Baby Jane?" (What Ever Happened to Baby Jane?)clássico do suspense, dirigido por Robert Aldrich. O filme é baseado no livro de Henry Fall, e conta a história da estrela mirim Baby Jane Hudson (Bette Davis); quando pequena Baby Jane brilhava nos palcos, era um menina prodígio, de cabelos louros e asimetricamente encaracolados, Baby Jane encantava à todos, menos sua irmã Blanche Hudson (Joan Crawford), que se sentia, e com razão, preterida pela sua família.
Tempos depois o jogo se inverte, Blanche é uma estrela em ascensão no cenário Hollywoodiano, enquanto Baby Jane cai no ostracismo, até que um dia, voltando de uma festa um terrível acidente acontece.
Blanche fica em uma cadeira de rodas, terminando assim sua carreira no ápice, e Baby Jane, cai ainda mais no esquecimento coletivo, ambas vivem dias cruéis na imensa mansão de Blanche, aos cuidados da empregada da casa, porém louca pelo sucesso Baby segue sua vida atormentando psicologicamente a irmã inválida em um thriller de tirar o fôlego, e com um final surpreendente.
As estrelas Bette Davis e Joan Crawford estão no melhor de sua carreira neste filme, e o ódio de Baby em relação à Blanche, pode ser sentido nos poros, talvez porque as próprias atrizes se detestassem. A diva Davis, chegou a exigir que instalassem uma máquina da Coca-Cola nos bastidores só para infernizar Joan Crawford, esposa de um dos donos da Pepsi.
Mesmo com toda a desarmonia o filme foi o sucesso de 1962, ano em que foi produzido, aliás produção que custou muito a Robert Aldrich, o diretor já havia ido a diversas produtoras para gravar o filme com as duas atrizes porém ouviu a seguinte frase: "Ninguém daria um centavo para um projeto com aquelas duas velhas rabugentas.", realmente nessa época ambas já estava além da idade, e ambas não gozavam de bons elogios nos corredores de Hollywood.
Seja como for o filme é um clássico, em alguns momentos pode parecer cansativo e enfadonho para alguns, mas se prepare cada cena tem o seu momento de suspense, salientado ainda mais pela proposital filmagem em preto e branco, para quem o procurar para compra ou alugar em alguma locadora, poderá sentir o tom psicótico já na capa que traz a seguinte frase: "Sister, sister, oh so fair, why is there blood all over your hair?" (tradução livre: Irmã, irmã, a vida é tão certa mas porque há sangue saindo de sua cabeça?) só pela enigmática frase já dá vontade de saber, afinal, o que terá acontecido a Baby Jane?
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
A Dor
Dor, segundo o nosso dicionário temos o seguinte: "Sensação de sofrimento, decorrida de lesão e percebida por formações nervosas especializadas, mágoa, pesar.".
Mas ao longo da existência humana o homem soube andar com a dor, poetas se utilizaram da língua para torna-la sofrida, romancistas usaram a dor para dar a ela a cara do amor eterno, cientistas usaram a dor para procurar a cura, enfim, mas a dor, insiste em estar em nós, de alguma forma ela entra e se enclausura nas nossas mentes e nos nossos corpos.
Hoje a humanidade teme não a dor física, pois graças a cientistas ardorosos em sua profissão, já temos remédio para as dores que nos convalescem, mas tememos a dor d´alma, aquela dor profunda cuja a marca fica indelével em nós e nos marca ao restar da vida.
A dor infelizmente não é fulgáz como a alegria, que dá e passa, a dor se arrasta, ela é lânguida e quando chega ela é sofrida, doída, a dor para nós só é dor se sentida em sua exaustão e plenitude, damos a nossa dor a companhia por ela pedida, seja uma triste sonata ou uma melodiosa canção de profunda tristeza.
Cabe a nós seres humanos dar o copo de absinto necessário a tristeza e a dor que nos abriga, não é necessário apenas a dor doer, é preciso senti-la rasgar a alma, se enclausurar no coração e se expor nas lágrimas, que rolam sob a face tão cândida que a própria dor se doa de nos fazer doer.
É inerente ao ser humano cavar o seu poço, usando esse sentimento vertiginoso como pá e se afundar nele, esperando um socorro qualquer, uma mão amiga, que amargamente sabemos que em muitos casos não virá.
O pior da dor é sabermos que não seremos entendidos, a dor d´alma não é exposta ela é interna, por isso aos que nos olham nada há de errado, mas só os sofredores anônimos sabem como ela dilacera, corta, fere por dentro, e não há dor que se valha que não vá a última consequência, uma dor para ser dor precisa ser digerida pelo organismo, ser vivida pela sua vítima, aliás a dor é um algoz sem face, é como o ar que respiramos, não vemos mas sabemos de sua necessidade, a dor é assim, ela não tem cor, não tem face, não é tangível, mas sabemos que precisamos dela para termos a confirmação de estarmos vivo.
Nesse momento vejo a necessidade da dor, quando a dor se afunda, sinto o coração apertado, batendo descompassado e me avisando que ele ainda está alí, nesse momento o que antes não tinha físico agora tem, ela (a dor) domina meu peito, infla meus batimentos, derrama meu próprio sangue em minhas veias como se fora seu próprio sangue e em um miléssimo de segundo percebo que nada no meu corpo é meu, tudo agora é da dor que age como um canibal me devorando, indo de dentro para fora.
Mas assim como a felicidade a dor um dia parte, não para nunca mais voltar, pois sei que ela é amiga invisível que um dia retorna a me visitar, mas por hora, meu peito se encherá de esperança e lutará contra as insanidades doentias e eu olharei no espelho e direi: "Sofreu? Sofri. Mas quem jamais sofreu? Sofri, sofrerei e sofro, a dor incontida no meu peito, a dor expressa em minh´alma, a dor que me faz me sentir vivo e por assim me sentir eu luto. Lutei, e lutarei para que ela, a dor, já não se aposse mais de mim como outrora, e um dia eu possa lhe dizer em face: "Saias dor cruel, não fazeis de meu corpo tua morada, sereis grande, sereis imenso, se ficares em mim, saibas que logo terás que partir, pois meu corpo é o templo dos amores e das fantasias, não da dor e do sofrimento. Saia dor cruel, saia".
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
Redescobrir
Sorry! Estive ausente, na verdade bem ausente, mas precisava de um tempo para me redescobrir e percebi coisas interessantes, como por exemplo a beleza de envelhecer, como ficamos mais calmos, tranquilo e paramos para pensar mais em nós e no outro.
Descobri que os raios solares que logo pela manhã na minha janela não trazem apenas um novo dia, mas também uma nova chance de fazer algo melhor do que ontem e de certa forma pior do que amanhã, se assim posso definir a minha evolução.
Descobri que amo, não apenas por que esse amor é recíproco, mas amo pelo medo de perder, e penso: Se um dia ele for embora? Descobri o valor da minha família, minha irmã que hoje já não é minha irmã é minha amiga, minha confessora e minha inspiração, redescobri meus pais que são o cerne da minha vida.
Descobri os 'Solilóquios Diospyros' da minha amiga Patrícia Meneguetti, um blog que surpreende pela simplicidade das opiniões e ver que ela vai tão longe, realmente como diria "às vezes o simples caminho de terra, nos leva mais longe do que o asfalto".
Redescobri meus gostos, meus sonhos, minhas ambições, é incrível como nos perdemos ao longo da jornada, mas é ótimo saber que podemos nos reencontrar, como diria a sempre divina Elis Regina, na canção Redescobrir,composta pelo também único Gonzaguinha, a vida é uma brincadeira de roda, uma cantiga doce e suave, entenda nunca estamos sós, mesmo quando estamos sozinhos, sempre haverá alguém ao nosso lado, pensando em nós.
Precisava de um tempo para pensar nessas coisas, somos forazes demais aos 15, ambiciosos demais aos 20, reguladores demais aos 25, mas somos pensadores aos 30, assim podemos "redescobrir o gosto e o sabor da festa".
Agradeço a todos que me acompanham na vida, e dançam comigo a cantiga de roda, me apoiando e me falando sempre que um dia eu conseguiria.
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